Morre poeta Aimé Césaire, voz do orgulho negro francês

UOL/Reuters - O poeta franco-caribenho Aimé Césaire, um dos fundadores de um importante movimento literário que celebra a consciência negra, morreu na Martinica, sua terra natal, informou o Ministério da Cultura francês nesta quinta-feira (17). Césaire, 94 anos, era prefeito de Fort-de-France, principal cidade da ilha. Ele deu entrada no hospital na semana passada, com problemas no coração e outros.
Seus escritos fornecem uma visão aprofundada sobre a maneira como a França impôs sua cultura aos cidadãos de origens diferentes no começo do século 20. O tema ainda ressoa na política francesa atual, já que o país continua tendo problemas para integrar muitos de seus habitantes de origem africana.
O escritor caribenho ficou famoso com o livro de poemas “Cahier d’un Retour au Pays Natal” (”Caderno de Retorno à Terra Natal”, em tradução livre), escrito no fim dos anos 1930, no qual dizia: “minha negritude não é uma torre ou uma catedral, ela mergulha na carne vermelha do solo”. Seus poemas expressam a degradação do povo negro no Caribe e descrevem a redescoberta de uma identidade africana.
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Cesaire , foi uma figura de destaque no movimento intelectual mundial, em particular na consciencia negra .
A morte de Césaire é uma perda triste e angustiante para a humanidade, a poesia e a luta de auto-afirmação do povo negro. Porém, o silêncio da mídia internacional sobre este gênio, desnuda a miudeza covarde do racismo editorial do planeta.
Césaire vive eternamente na consciência política rebelde de todo negro e negra que vive e resiste em cada lugar desse planeta. Quanto a grande mídia embranquecida, não adianta tentar nos invisibilizar, novos Césaire continuam nascendo em cada canto do mundo.