Debate sobre sexo causa frisson em Passo Fundo

O Estado de São Paulo - O sexo, quem diria, ainda provoca polêmicas. Um grupo de universitárias polonesas que acompanha a 12ª Jornada Nacional de Literatura pediu, em um bilhete, que seu compatriota, o escritor Miroslaw Bujko, se calasse pois estava envergonhando o país. O imperdoável ato de censura aconteceu na tarde de anteontem, quando Bujko discutia arte, moral e erotismo ao lado dos brasileiros Milton Hatoum, Elisa Lucinda e André de Leones. “Estou acostumado pois, na Polônia, quando alguém faz sucesso, os outros fazem o possível para apedrejar“, lamentou-se o escritor.

O debate foi um dos mais produtivos da jornada. Bujko, que lança agora O Trem de Ouro (Record) no Brasil, dizia que, com sua arte, consegue tratar de temas tabus como a sexualidade. “Com isso, conseguimos que a sociedade seja mais liberal”.

O assunto rendia. O dramaturgo Alcione Araújo, um dos mediadores, lembrou que a tragédia grega tratava de todos os temas proibidos sem cenas de violência ou mesmo de contato físico. “Conseguiam, assim, uma relação puramente estética“, disse. “O ideal, portanto, é a estetização do desejo.

Já Hatoum lembrou que um dos clássicos nacionais, Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, tem apenas uma sugestão de sexo, o que o torna fenomenal. E André de Leones comentou que um texto é imoral quando seu autor é desonesto e não se responsabiliza pela obra. “Faz algo como colocar uma cena de sexo sem nenhuma função narrativa“, disse.

One Response to “Debate sobre sexo causa frisson em Passo Fundo”

  1. Muito Vago!!!

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